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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Über estupidez




Em um país onde a criminalidade é a regra, uma empresa cujos funcionários, por força do ofício, estão especialmente expostos à violência deveria, senão treiná-los, no mínimo incentivá-los para que aprendem a defender-se, a reagir às muitas situações de risco que, cedo ou tarde, enfrentarão. Outra atitude minimamente inteligente seria privilegiar a contratação de funcionários prontos para a defesa da sua vida e a de seus clientes. Tendo um colaborador desses em sua equipe, então, deveria dar-lhe atenção especial e congratulá-lo quando ele agisse de forma assertiva.

Em vez disso, o Uber resolveu sacrificar seu funcionário no altar do politicamente correto, erigido pela imprensa e pela “intelectualidade” (os famosos “especialistas”). A empresa poderia ficar ao lado de seu empregado que, muito corajosamente, reagiu a uma ação extremamente covarde: em uma desvantagem brutal, o policial-motorista baleou três criminosos, salvando seu patrimônio e possivelmente sua vida e a de muitas outras pessoas. O Uber poderia ter ficado ao lado desse seu colaborador e da opinião da imensa maioria dos brasileiros, que não agüenta mais tanta criminalidade covarde, abusiva e impune. Em vez disso, a empresa preferiu ceder à pressão da cultura do politicamente correto, em troca dos aplausos de meia dúzia de sociopatas disfarçados de jornalistas e estudiosos, que, apesar de serem poucos, detêm o poder de maquiar a opinião pública.

A verdadeira opinião do público, do povo, nunca esteve tão distante da suposta opinião pública, essa que lemos, ouvimos e assistimos em boa parte de nossa imprensa. O povo quer segurança, quer justiça. Já os sociopatas da mídia e do judiciário são graduados em mentalidade revolucionária e autoritária, e tentam disfarçá-la com palavras, com um discurso que de forma alguma significam os objetos a que se referem: chamam de “democracia” a obediência a suas vontades; chamam de “golpe” o raro funcionamento das instituições democráticas; à covardia e à pusilanimidade qualificam como “prudência”; em suas mãos, a violência criminosa é mera “conseqüência das mazelas sociais”, mas a legítima e justa defesa de um cidadão aterrorizado é chamada “excesso”, “agressão”, “assassinato”. É a esses lunáticos que a classe política e o empresariado têm obedecido há anos, simplesmente porque eles detêm uma aparência de poder, porque são eles que fazem as capas de jornais e dão as manchetes na TV. Enquanto isso, a verdadeira opinião pública acede cada vez menos a esses veículos e segue cada vez mais perdida neste contexto de loucura.

Por fim, este caso do Uber é exemplar para quem está comemorando a estrondosa derrota da esquerda nas urnas. A política partidária é apenas um pequeno e apenas aparentemente decisivo aspecto da vida pública. A verdadeira guerra não é política, mas cultural. O que conduz a massa e determina as grandes decisões, tomadas por quem detém o poder político e o poder econômico (políticos e grandes empresários), é a cultura geral, aquilo que sai das mentes psicóticas de revolucionários acadêmicos, passa pela mídia, pelos tribunais e pelos gabinetes políticos e se solidifica entre a população. Felizmente (por motivos que já expliquei aqui ), essa solidificação tem sido muito lenta entre a população “comum”; já os poderosos não tomam decisão nenhuma sem antes prestar muita atenção ao noticiário e a o que dizem os “especialistas”.



Em tempo

Depois dessa, largarei o táxi gourmet e voltarei a usar o táxi normal. Fosse o policial motorista de táxi, o dono da frota cumprimentaria o herói e ainda lhe pagaria uma churrascada. Melhor fazer lucrar o tiozão tosco do táxi (piada do pavê, gelada na mesa, timão na TV, Seu Joaquim) do que a playbozada tecnológica (startup, MBA, Euro-trip, suco-detox, por-do-sol, Gregório Duvivier).

Leia a nota da empresa:

"Durante uma viagem solicitada por meio do aplicativo, a Uber proíbe o porte de armas de fogo de qualquer natureza a bordo do veículo, tanto para motoristas parceiros quanto para usuários. Qualquer pessoa que viole esta proibição perderá o acesso à plataforma da Uber."

Ou seja, aderem a um desarmamentismo simplista e estupidamente intransigente, para agradar a beautiful people da qual fazem parte, exigindo que seus funcionários não se protejam. Talvez pretendam que seu "capital humano" se defenda com balinhas e água.

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