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domingo, 8 de março de 2015

Vamos deturpar o Dia da Mulher


<< A liberdade da mulher, na verdade, transformou-se numa prisão. Hoje, elas se vêem presas a estereótipos ditados pela agenda feminista, cujo maior objetivo é destruir a essência da mulher, igualando-a ao homem. >> Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

A História é esta: em 1910, a comunalha do mundo todo, reunida sob a organização Segunda Internacional Comunista, com a participação de Lenin e outros líderes que, pouco tempo depois, seriam responsáveis pelo genocídio de dezenas de milhões de pessoas, definiu que o dia 8 de março marcaria o Dia Internacional da Mulher. As intenções, como soem ser as intenções revolucionárias, pareciam ser as melhores: sob a esparrela da independência, queriam tirar a mulher da opressão do lar e levá-las para a liberdade das fábricas.
Karl Marx já postulara coisa semelhante, mas em relação às crianças. Em crítica à plataforma do Partido Social-Democrata Alemão, escreveu:

<< Uma proibição geral do trabalho infantil é incompatível com a existência de indústria em larga escala e, por isso, um desejo piedoso e vazio. Sua realização – se possível – seria reacionária, já que, com uma estrita regulação do tempo de trabalho de acordo com as diferentes faixas etárias e outras medidas de segurança para a proteção das crianças, a combinação desde cedo de trabalho produtivo com educação é um dos meios mais potentes para a transformação da sociedade presente. >> 


Fonte: <omarxismocultural.blogspot.com.br/>

O que Marx, Lenin e todos que entenderam o socialismo pretendiam era que mulheres, crianças e idosos conformassem, com os homens, a imensa massa igualitária, igualmente miserável e à disposição da indústria planificada, em que todos são iguais, exceto a nomenklatura. Em verdade, as mulheres do mundo todo estavam sendo convidadas a optar por algo que, logo adiante, em todos os países socialistas, tornar-se-ia obrigação: trocar o insuportável peso de colheres e panos-de-prato pela confortável leveza de ferramentas e máquinas industriais.
Nas últimas décadas, essa simbologia pegou forte por aqui e, cada vez mais, as mulheres têm abandonado a suposta exploração machista (sobre a qual Olavo de Carvalho – não poderia ser diferente – já escreveu o que havia para escrever) em nome de uma suposta liberdade, composta por confusão, histeria e desalento. Entretanto, não foi sempre assim.
Na primeira metade do século XX, o mundo civilizado legou a “comemoração” ao esquecimento, preferindo presenteá-las com liberdade, enquanto os membros da União Soviética mais a China e o Vietnã mantiveram-na como feriado nacional (mantendo as promessas do maravilhoso mundo socialista limitadas ao discurso e aos símbolos). Apenas na década de 1960 o festejo voltou à agenda ocidental, por iniciativa do Movimento Feminista, que achava uma boa idéia o Ocidente imitar países como Azerbaijão, Mongólia, Tajiquistão, Quirguistão e Vietnã e comemorar o 8 de março como símbolo das lutas das mulheres. (Qual seria a reação das feministas se a Civilização Ocidental tratasse suas mulheres da forma como eram – e são – tratadas as mulheres das nações que penam na mão do Socialismo?)
Resta claro, pois, que a consolidação do Dia Internacional da Mulher é fruto da mendacidade esquerdista e, como toda ação revolucionária, envolve mentiras e manipulações de informações.
Contudo, a data acabou sendo mais um tiro no pé revolucionário: em vez de demonstrações de força da mulher e de igualdade de gêneros (o que é impossível em todos os níveis, do ontológico ao lógico), o dia é marcado por manifestações de respeito, veneração e prostração do homem ante a sensível, amável e encantadora mulher. Com sua temerária passividade, a civilização judaico-cristã absorveu a comemoração revolucionária, mas, ao mesmo tempo, com seu respeito ao Direito Natural das gentes, subverteu-a e a dotou de humanidade e decência, com uma boa dose de capitalismo (pelo que a indústria e o comércio agradecem).

Parece-me bom, sim, comemorar o Dia da Mulher, como um marco àquilo que deve ser a regra: o amor a quem gesta a vida. Mas sigamos comemorando o 8 de março, também, como uma data-símbolo, que representa a imposição da realidade civilizada sobre devaneios ideológicos. 

Não há feminismo que resista às insuperáveis diferenças inatas entre mulheres e homens. Não há discurso esquerdista que supere o progresso e a liberdade do mundo civilizado. Não há bandeira revolucionária que passe incólume pelo crivo da realidade.
O socialismo até tem um discurso bonito, mas no capitalismo, na civilização ocidental, fundada sobre a moralidade judaico-cristã, temos liberdades, decência, comida, papel higiênico e a possibilidade de oprimir nossas mulheres com flores, bombons e carinhos.





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terça-feira, 3 de março de 2015

PSOL, linha auxiliar do PT


No dia 27 de fevereiro de 2015, debati com a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL, Porto Alegre), no programa Ciranda da Cidade, apresentado pelo Diego Casagrande, na Rádio Bandeirantes AM 640. Nessa oportunidade, expliquei como funciona o papel de linha auxiliar que o PSOL desempenha em relação ao PT, e o fiz apoiado em anotações minhas. A vereadora, acostumada a repetir os mesmos clichês esquerdistas de sempre, a papagaiar os mesmos discursos que todo esquerdista profere em mesas de bar, em jantares de família e em assembléias estudantis, estranhou que alguém se preparasse para um debate e desdenhou de minha fala. Pois me comprometi com disponibilizar, na íntegra, o texto de apoio à minha fala. 
Ei-lo; com acréscimos e edições de imagem importantes.



Já nos primeiros dias de 2015 e de novo Governo Dilma, Marta Suplicy[1] repetiu Olívio Dutra[2], Eduardo Suplicy[3] e outros petistas ilustres: fez duras críticas ao PT. Nossa reação primeira é de entender isso como um bom sinal; sinal de que inclusive os petistas estão percebendo os problemas desse governo. 
Por outro lado, mais recentemente, o PSOL se comprometeu publicamente a não lutar pelo impeachment do governo mais corrupto que o Brasil já teve.
As críticas de petistas a seu governo e o apoio da extrema-esquerda à mesma gestão têm muito em comum. Nesse contexto, críticas e apoio andam juntas; e revelam uma tática de dois focos, típica na esquerda mundial desde a Revolução Russa.
Após chegar ao poder, a esquerda começa a dividir-se, a fim de multiplicar-se, tal qual as células de um câncer – que é, afinal, o que é o socialismo, metafórica e (Por que não?) factualmente. Divide-se para conquistar, pois, com isso, a esquerda cria ao mesmo tempo uma oposição de faz-de-conta (a chamada linha auxiliar[4]) e ainda reserva um grupo imaculado para os casos emergenciais.

Então, em primeiro lugar, temos o teatro, o faz-de-conta.
Ao dividir-se, a esquerda acaba por expandir-se. Militantes constrangidos com os pragmatismos dos companheiros que estão no poder se unem em outros grupos e partidos, ficando à vontade para posar de puras donzelas, enquanto, na verdade, fazem um jogo duplo. Essa suposta oposição, em primeiro lugar pode levantar as bandeiras mais radicais, preparando o terreno e a opinião pública para a ação legislativa e executiva dos companheiros que governam (que não poderiam, eles mesmos, sustentar tais posições, sob pena de perder os parceiros fisiológicos). Em segundo lugar, quando a situação começa a ficar insustentável, essa “oposição à esquerda” apresenta-se como “oposição responsável”, contrapondo-se aos “golpistas” e “reacionários”.
É precisamente esse o papel do PSOL e mesmo de setores ideológicos de partidos como PSDB, do PSB e do PPS. O PSOL é um importante ator nesse teatro. Boa parte de seus militantes não sabe e seus quadros importantes (como a vereadora Fernanda Melchionna) dirão que isso não é verdade, mas basta olhar para a história da esquerda para ver que isso é verdade. Aliás, basta olhar para os votos dos deputados do PSOL em casos capitais, como o do calote de Dilma, aprovado no fim de 2014, para perceber que esse partido não passa de linha auxiliar do PT. Aliás, proponho que o PSOL passe a chamar-se
PSOLA: Partido Somos Linha Auxiliar.
Esses dias mesmo, a cúpula do PSOL convocou a imprensa para mais um ato de sua peça, com o ator principal, o BBB Jean Wyllys, dizendo que o partido faria “oposição à esquerda”, de forma responsável.


Ora, contem outra! Quem conhece o PSOL sabe que responsabilidade lhe é tão escassa quanto o papel higiênico é escasso na Venezuela. Não nos esqueçamos da invasão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, em 2013, quando proto-terroristas do Bloco de Lutas, de forma absolutamente truculenta, vandalizaram tudo que puderam na casa parlamentar, gerando grande prejuízo aos cofres públicos (e, por conseguinte, aos porto-alegrenses pagadores de impostos). Mascarados, como manda a cartilha da bandidagem, agrediram autoridades, picharam e vandalizaram gabinetes e o plenário, investiram contra símbolos religiosos, usaram drogas e fizeram orgias sexuais. Tudo conforme levantamento posterior da administração. E tudo isso com apoio PSOL. É essa a oposição responsável de que falam Jean Wyllys e sua trupe? A verdade é que agem de forma supostamente responsável quando não está no poder o astro do qual são meros satélites.

Fonte: blog do Aluízio Amorim.

A questão fundamental, a base dessas estratégias, é o fato de que o esquerdismo tende ao totalitarismo; e o socialismo é totalitário. Ou seja, é da essência da esquerda trabalhar para ocupar todos os espaços. Então, para simular a existência de uma oposição, brigam entre si, rompem e criam novos partidos. E, nesse processo, são bastante criativos, chegando ao ponto de criar o partido-oxímoro, chamado Socialismo E Liberdade, algo tão possível quanto um quadrado redondo.

Mas essa estratégia também serve de, digamos, vacina.
Essa tática, chamada por Stálin de “estratégia das tesouras”, serve também às situações extremas. Vacinam-se do mal futuro antes mesmo de fazê-lo. Seria algo como: “Em caso de emergência, se tudo der errado, acione aquela suposta oposição.” E bem sabemos que com a esquerda, cedo ou tarde, tudo dá errado, pois o socialismo só dura até acabar o dinheiro dos outros. Não há produção de riquezas na esquerda, apenas uma suposta distribuição, mas que é, na verdade, uma apropriação indevida do Estado totalitário sobre os bens dos trabalhadores – seja com desapropriação de terras, seja com tomada de imóveis urbanos ou, ainda, com impostos progressivos. O problema maior é que depois de um tempo sacando do fundo de riquezas produzidas por outrem, a brincadeira termina. Bem o sabem russos, cubanos, cambojanos, venezuelanos e mesmo os europeus estatistas.
Então, quando tudo dá errado, esquerdistas de todo o mundo se unem (finalmente!), escolhem um bode expiatório, colocam toda a culpa nele e partem para a próxima. Foi o que fizeram com o próprio Josef Stálin. Quando ficou impossível de esconder do mundo todo suas atrocidades, incluindo os mais de 50 milhões de assassinatos cometidos em nome da revolução socialista, a esquerda mundial se uniu para colocar a culpa em Stálin, como se fosse possível uma única pessoa fazer tanto mal sozinha. A verdade é que o antigo amigo de Hitler contou com uma imensa rede de agentes, militantes e burocratas dispostos a calar qualquer oposição, dispostos a matar dezenas de milhões de pessoas em nome da revolução. Quando tudo deu errado, com sua covardia típica, os socialistas esperaram Stálin morrer, colocaram a culpa nele e retomaram a pose de salvadores do mundo.
É isso. Marta Suplicy, Olívio Dutra, boa parte do PT e todo o PSOL são nossos Kruchevs. Quando o projeto petista nafraugar – e nafraugará, evidentemente – jogarão Dilma Rousseff aos lobos, farão de conta que não têm nada a ver com o negócio e colocar-se-ão à disposição do povo: “Tá bom, tá bom, nós salvaremos vocês.”


[1] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/01/1573475-marta-suplicy-critica-dilma-e-o-pt-em-entrevista-a-jornal.shtml
dos-demais-partidos-avalia-olivio-dutra-4656630.html
[3] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/12/1564050-suplicy-se-despede-do-senado-com-criticas-a-erros-do-pt.shtml
[4] Ainda que a expressão já fizesse parte do imaginário brasileiro (por evidente que é), quem o registrou perante o grande público nacional foi Aécio Neves, durante debate dos presidenciáveis, em setembro de 2014. Aécio foi o primeiro candidato de oposição com chances de derrotar o PT, desde 2002, a portar-se como um verdadeiro representante da insatisfação nacional. Tanto que denunciou a estratégia das tesouras petista, da qual participa o PSOL; em resposta, ouviu de Luciana Genro, candidata do partido do BBB Jean Wyllys uma contraposição típica do partido mais infanto-juvenil do Brasil: “Linha auxiliar do PT, uma ova!”