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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Exijamos providências de nós mesmos, os indivíduos



Texto publicado no Mídia Sem Máscara, em 31 de janeiro de 2014

“Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer reformar.” 
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá

Em 27 de janeiro de 2013, um músico acendeu um sinalizador dentro da boate Kiss, em Santa Maria, durante uma sua apresentação. Faíscas do artefato atearam fogo ao inadequado revestimento de espuma do teto, liberando cianeto, substância venenosa que vitimou 242 pessoas e feriu 116. Passados alguns dias, o Ministério Público apontou falhas nas fiscalizações do Corpo de Bombeiros e nos procedimentos dos donos do estabelecimento e indicou responsabilidade também do poder público pelo acontecido.
Faz um ano, portanto, dezenas de jovens pereceram ante a imprevidência de empresários (que, segundo consta, almejam antes o lucro ao bem-estar de seus clientes), ante a permissividade de fiscais e ante a incompetência de autoridades. Mas, e a temeridade dos próprios jovens? E a temeridade de todos nós, que optamos por freqüentar lugares insalubres e precários?
Desde as primeiras horas após a tragédia da boate Kiss, temos gritado e a imprensa tem reverberado: “Onde estão as autoridades!?”, “Exigimos providências do Poder Público!”, “O Estado tem de agir!”. Mas, e nós, os indivíduos? Apenas aqueles entes abstratos devem ser cobrados?
Não estamos falando de uma rua cujo asfalto se abriu, engolindo e matando desafortunados que por ela passavam, ou de um hospital superlotado, incapaz de atender a pacientes à beira da morte. Falamos de um estabelecimento privado, de entretenimento, tipo de local ao qual vamos somente se quisermos. É inevitável que freqüentemos os dois primeiros exemplos; a rua e o hospital são locais públicos, mantidos pelos contribuintes, através de pesadíssima carga tributária, de modo que é legítimo cobrarmos bons serviços, em primeiro lugar, daqueles que deveriam gerir eficientemente nossos tributos. A uma boate, contudo, vamos tão somente se tivermos vontade, se decidirmos por isso. Entretanto, todos nós somos contumazes em fazer péssimas opções e acabamos decidindo, de livre consciência, por entrar em boates, restaurantes, centros comerciais e outros locais de lazer sem condições de nos receber. A administração pública não consegue – e é bom que seja assim – dar conta de tudo. Contudo, há cada vez mais cidadãos dispostos a entregar suas vidas em mãos estatais.
O Estado é uma entidade de fácil definição jurídica, mas que surge como um ente abstrato, intocável e indelineável, o qual todos se sentem confortáveis para criticar, evitando o constrangimento de citar nomes e, Deus nos livre!, angariar antipatias. Lembremo-nos das manifestações de junho de 2013: os cartazes e as palavras de ordem eram contra a fabular corrupção, jamais contra Lula, Zé Dirceu, José Genoíno e demais corruptos e corruptores. Da mesma forma, na questão da boate Kiss, é muito mais fácil criticar corporações, instituições e outros seres extraordinários do que dizer o óbvio: o ponto de partida da tragédia foi a atitude inconseqüente de um indivíduo. Dói, eu sei; dói para quem diz e para quem ouve; não causa regozijo nem alivia o luto; mas é a verdade.
A cada tragédia, a cada escândalo, a cada caso de violência, agimos como se o Estado fosse negligente sozinho, como se a corrupção pairasse no ar, como uma epidemia, pronta para assolar a nós. É como se o sistema estivesse sempre lá, à espreita, esperando para puxar o gatilho da arma que ele mesmo, malvado que é, colocou na mão do bandido (essa sua pobre vítima, que só não sofre mais porque há ONGs que defendem os direitos humanos). São, então, esses seres fabulosos – Estado, sistema, corrupção – os culpados por todos nossos infortúnios, incluindo incêndios.
Trata-se de um padrão brasileiro: a resposta a todos os problemas deve ser dada pelo Estado. Nosso povo guerreiro só fica tranqüilo em relação a algo quando uma secretaria especial, ligada a algum ministério, é criada, com a conseqüente nomeação de dezenas de pessoas que, até então, jamais lidaram com tal questão. Mas pode ser também uma autarquia, ou mesmo uma empresa pública – tanto melhor, pois, assim, logo um concurso público será aplicado, a fim de prover os cargos na Embrarretal (Empresa Brasileira Para Resolver Tal Assunto), ou Talassuntobrás. Em geral, nossa grita por providências estatais nada resolve – apenas possibilita a celebrada multiplicação das tetas.
Após a tragédia de Santa Maria e os questionamentos que decorreram em torno do alvará e do rigor fiscalizatório que pode ter faltado na boate incendiada, o Brasil está perplexo com a negligência do Estado, que permite o funcionamento de boates como a que pegou fogo. Contudo, não há grandes demonstrações de perplexidade com relação à ação do incendiário culposo (no sentido jurídico), muito menos com a submissão voluntária de tanta gente a ambientes periculosos. É tão difícil perceber que ninguém é obrigado a submeter-se ao risco a que se submete em locais como o da tragédia?
Não estou com pena do Estado, que, pobrezinho, já tem tanto para fazer e tanto faz por nós. O fato é que esse tipo de ataque ao Estado é um tiro no pé. Como a Hidra de Lerna – figura da mitologia grega que, a cada cabeça que se lhe cortasse, duas nasceriam no lugar –, quanto mais se cobra do poder público, mais ele se enche de supostas razões para inchar, arbitrar, tributar e controlar.
Sobre o que ocorreu na boate Kiss, considerando o que se tem de notícia, o poder público tem, sim, sua parcela de culpa. Tão dedicado a regular tudo, a dizer como devemos educar nossos filhos e como podemos [não] nos defender, a limitar o que podemos e o que não podemos dizer, a definir, quase que discricionariamente, cada ato de cada cidadão, o poder público deveria, facilmente, identificar estabelecimentos que oferecem riscos a seus freqüentadores. Também, considerando o que se sabe até agora, os donos da boate hão de ter sua parcela de culpa. Uma casa noturna deve apresentar condições decentes para receber seus clientes e para que estes saiam rapidamente em caso de emergência.
Contudo, considerando o que se sabe até agora, a responsabilidade primeira, de fato, não é de outro senão de quem fez uso indevido de efeitos pirotécnicos. Ademais, se a idéia é dividir essa culpa (do que não discordo), os primeiros a receber sua parcela são aqueles que presenciaram, passivamente, na ocasião trágica e em todas as supostas ocasiões anteriores, a imprudente pirotecnia. Também dividimos com o incendiário involuntário tal responsabilidade todos nós, representados por aqueles jovens que escolheram freqüentar um ambiente sem condições de escoamento de emergência e que escolheram assistir àquele arriscado espetáculo pirotécnico, fugindo dele só quando não havia mais tempo. Atitudes absolutamente temerárias como essas não podem ser previstas o tempo todo, nem por um Estado completamente inchado e atuante, nem pela casa noturna mais segura e equipada.
Exigir mais providências das improvidentes autoridades, antes que nós mesmos assumamos nossas responsabilidades e coloquemos nossas vidas a salvo enquanto podemos, é tão perigoso quanto acender um artefato pirotécnico em um ambiente fechado e sem plano de combate a incêndios.
O que queremos exigindo “leis mais severas”, afinal? A julgar pelas reações pós-tragédia, que praticamente excluíram do debate as ações individuais, queremos um agente do Estado em cada esquina, em cada quintal, tomando conta de cada um de nós. “Aonde você vai, camarada?”, perguntará o Técnico em Orientação da Conduta do Cidadão. E fará recomendações que salvarão vidas: “Não se esqueça de verificar se o local ao qual o senhor está se dirigindo é seguro. Ah, e leve um casaquinho.”

















sábado, 11 de janeiro de 2014

Carta aberta aos não-esquerdistas. Ou: O cegante brilho de nossas botas


<< Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer. [...] Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhes os bens, se antes não o prender; e então saqueará sua casa. >> Marcos 3, 24-25 e 27.

Aos amigos da direita, ou, melhor, da não-esquerda. Aos daqui, aos de lá, aos de toda parte (porque são muitos os tipos), mas, sobretudo, àqueles que se dão a censurar, diminuir e até ridicularizar aqueles outros que têm-se dedicado a fazer algo para que saiamos todos do duradouro estado de letargia em que nos encontrávamos. Àqueles que se imbuíram de uma superioridade tirada sabe-se lá de onde, que bem poderiam dedicar-se a orientar aqueles que julgam perdidos pelo afã de resolver a situação; que bem poderiam ajudar de alguma forma aqueles que julgam que põem os pés pelas mãos em suas ações, como organizar hangouts vários e protestar contra aqueles que sempre massacraram os não-esquerdistas impunemente (e.g., Porta dos Fundos e Ghiraldelli versus Sheherazade).
Aos gostosões intelectuais, aos aprendizes de fariseus, aos santarrões, aos caçadores de falhas alheias, aos próceres da prudência, enfim, a todos que resmungam entre os dentes que quaisquer formas de ativismo e militância são contra os preceitos conservadores. Peço permissão a toda essa gente para imbuir-me de uma autoridade tirada não sei de onde para dizer-lhes:




Concordo com vocês: são hangouts, palestras e entrevistas demais. Contudo (eis uma obviedade), há esquerdistas demais falando e escrevendo por aí; é preciso equilibrar essa conta. Seria maravilhoso se todos fossem capazes de dar contribuições como as do professor Olavo de Carvalho, do Padre Paulo Ricardo, do Mário Ferreira dos Santos, mas não é assim. Evidentemente, como estes, há apenas estes e mais alguns que ainda estão preparando-se, creio. A propósito, o conselho do professor Olavo, de que devemos estudar muito antes de sairmos por aí falando o que pensamos, é muito prudente e deve ser seguido por todos; mas a admoestação se refere à publicação de idéias próprias, inéditas, não para a reprodução do que aprendemos nem para a denúncia do que é errado.
Não precisamos sentirmo-nos prontos, maduros, tinindo, capazes de ensinar ao mundo o muito que aprendemos e que dominamos como poucos para que comecemos a falar de nossas próprias experiências, fartas de erros e percalços. Por isso mesmo, boa parte dos hangouts não são especificamente para vocês, superiores, que já têm muito mais a dar do que a receber. Por suas próprias características de tempo e abordagem, os hangouts, são para neófitos, servem para atrair e acolher aqueles que (como nós fizemos em algum momento) estão querendo ir além do que aprenderam nas escolas e do que lêem nos jornais. Esses hangouts têm algo de grupo de reabilitação, como alcoólicos anônimos. Ou, ainda, os hangouteiros talvez sejam como os moleques que vão para a rua entregar panfletos de restaurantes, de assistência técnica de ar-condicionado, de escolas de informática; o transeunte lê o panfleto, interessa-se e, depois, vai atrás do que é propagandeado. Não devem – nem têm como – concorrer com o Curso Online de Filosofia, por exemplo; devem, sim, introduzir os temas, acolher os recém-chegados e atrair os que olham com desconfiança. Também, servem os hangouts para quem os faz acontecer, no sentido de organizar o pessoal, de mobilizar e aglutinar forças.
Parafraseando o que diz C. S. Lewis no prefácio de “Cristianismo puro e simples”, quando propõe que é necessário defender primeiro uma causa comum para, só depois, aprofundar conhecimentos e expor e debater desavenças, eu diria que os hangouts, as palestras, as entrevistas e as reações aos ataques esquerdistas conformam uma grande sala-de-estar, pela qual se entra na residência e se passa; depois, os convidados e os anfitriões se recolhem aos seus aposentos e fazem o que deve ser feito. Vocês, superiores, já estão em seus aposentos, recostados em seus recamiers, trajando roupões de seda roxos, charutando e "eruditizando-se" deliciosamente, enquanto a esquerdalha prepara-se para invadir suas residências e  estourar-lhes os miolos (na verdade, não será necessário "invadir”; a esquerda entrará tranqüilamente nas casas dos gostosões da prudência). Enquanto limitam-se a estudar (o que em si não é ruim, obviamente) e resmungar em seus confortáveis aposentos, há hordas do lado de fora, querendo tomar a propriedade. Definitivamente, não há prudência [palavra adorada por vocês] em desprezar os poucos aliados que estão na sala-de-estar.
Além disso tudo, há a necessidade de equilibrar a balança da opinião pública, que há muito está capenga para a esquerda. Esses hangouts, essas entrevistas, a que vocês se recusam a participar (lamentavelmente, pois, não tenho dúvidas de que seus relatos de vida, de formação, serviriam a muitas pessoas) e que insistem em menosprezar, ajudarão a levar pessoas do “nosso lado” (seja lá o que isso for) para a mídia (o que já está ocorrendo, aliás; vide Felipe Moura Brasil na Veja); ajudarão a respaldar os “dos nossos” que estiverem por aí, escrevendo em blogs, jornais e revistas, falando na televisão e no rádio e ensinando em escolas e universidades.
Todos nós devemos, sim, fazer o que vocês fazem e nos admoestam que façamos: estudar a sério, reservadamente. Todavia, se fizermos “só” isso [entre aspas, porque, reconheço, já é muito], as esquerdas crescerão mais do que já cresceram e nos sufocarão mais do que já nos sufocam, ao ponto de que nem isso (estudar reservadamente) nos será permitido fazer. Esses muitos hangouts podem ser um meio de reconquistarmos o direito de dizer que um mais um é dois.
Como católico (dos piores), evito emitir opiniões contra o protestantismo; como um pretenso conservador, evito emitir opiniões contra os liberais (embora não consiga, muitas vezes; o que é um erro). Temos inimigos demais querendo nossas cabeças, de modo que não creio que devamos atacar aqueles que, em determinada especificidade, agem em desacordo com aquilo que julgamos correto. Precisamos de companhias para a viagem, pois a estrada é cheia de perigos. Por exemplo: há algum tempo, a cada quatro anos, vemo-nos obrigados a votar em gente que jamais votaríamos se vivêssemos em um cenário político minimamente decente. Se chegamos ao ponto de votar em sociais[socialistas]-democratas por pura necessidade de sobrevivência, por que, por outro lado, atacamo-nos mutuamente?
Espero, honestamente, poder viver o dia em que teremos tempo e tranqüilidade para discutir, entre nós, os erros e acertos dos mais variados pormenores, sobre os meios com que nos comunicamos, as maneiras como falamos etc. Contudo, por ora, estamos recém tentando falar.
Hoje, não posso dar-me ao luxo de chamar a atenção do soldado ao lado porque suas botas não estão bem lustradas. Depois que conseguirmos ao menos sair do buraco em que estamos escondidos, enquanto somos bombardeados por todos os lados, talvez eu pense nisso. Não é hora de ficar no buraco, admirando o brilho de minhas botas; a não ser que eu não me importe em ser soterrado pelo inimigo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"FILHO DA PUTA" NÃO!


Há uma nova celebridade nos quadros militantes da esquerda light [aquela que difere das esquerdas mais raivosas apenas pela cuspidinha que dá antes da currada].
Quem já cometeu a estupidez de ser esquerdista ou estudou o pensamento de líderes como Marx, Lenin, Mao e Che Guevara sabe que os próceres e intelectuais esquerdistas menosprezam suas celebridades, embora admitam que famosos podem e devem ser usados como ferramentas publicitárias. Afinal, o que chama mais a atenção do público em geral, um intelequitual esquisitão falando sobre as mais que óbvias maravilhas da Coréia Popular, com seu jeitinho epiléptico de ser e aquela aparência de quem crê que o banho é uma invenção da burguesia para vender sabonete para os proletários, ou o Marcos Palmeira chamando a burrada para protestar “contra tudo que está aí”? Eles não respeitam suas celebridades como pensadores do movimento, mas as utilizam sem moderação. E não respeitam simplesmente porque as estrelas canhotas fazem parte do sistema e conseguem ser ainda mais ineptas do que os próprios líderes sabem (embora não admitam nem para si mesmos) que o são. São, estas celebridades, espécimes especiais de idiotas úteis.
Há, pois, uma nova estrela do idiotismo útil, Gregorio Duvivier, ator da Praça é Nossa da Internet*** (a.k.a. Porta dos Fundos). Pelo que se vê, encaixa-se perfeitamente na descrição do Lobão para o militante esquerdista:
<< Refém da uniformidade acachapante dos clichês entrincheirados em sua mente vacante, profere as frases mais gastas e cafonas que se pode imaginar.  >>
Leiamos, então, o último texto do humorista engajado, antes de irmos adiante [link para o último texto do humorista engajado].
Prossigamos.
Como todo bom idiota útil, Gregorio Duvivier é o tipo histérico que vê ideologia até num "Bom-dia!". Com a certeza de que está pensando com a própria cabeça, tão-somente repete as fórmulas ensinadas por charlatões da lingüística, como Mikhail Bakhtin, Émile Benveniste, Pierre Bourdieu e Michel Pêcheux, e fixadas no imaginário do cidadão meão por professores e palpiteiros caras-pintadas.
<< Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. >>
É constrangedora a obviedade de que ofensas são sempre destinadas ao que mais violenta ou ao que há de mais importante ou caro ao ofendido -- para as mulheres, sua castidade, sua decência; para os homens, as mulheres de sua vida. Perdi as contas das brigas em campo de futebol que vi começarem, após muito empurra-empurra e xingamentos inócuos, porque alguém se atreveu a chamar alguém de "filho da puta" -- <<"FILHO DA PUTA" NÃO, seu desgramado!>> e POW e CRASH e BAM pra todo lado. 

Isso acontece porque amamos as mulheres, não pelo contrário.
Se há alguma intenção velada por quem profere os xingamentos arrolados por Duvivier, que ofendem a mãe ou a mulher de um homem em vez do homem em si, é ofender o que há de mais caro a um homem, oras – sua mãe e sua mulher, no caso. Se há alguma intenção velada.
É preciso muita estultícia para concluir que, e.g., o sujeito que trabalha dia e noite para sustentar uma numerosa família, para dar o melhor para mulher e filhos, xinga o adversário no futebol de “filho da puta” por machismo, para oprimir fêmeas indefesas, como quis sugerir o humorista. Sobre gente como Duvivier, que expele em palavras o que deveria sair apenas de sua porta dos fundos, Olavo de Carvalho diz:
<< Não há nada mais estúpido do que a convicção geral da nossa classe letrada de que não existe imparcialidade, de que todas as ideias são preconcebidas, de que tudo no mundo é subjetivismo e ideologia. Aqueles que proclamam essas coisas provam apenas sua total inexperiência da investigação, científica ou filosófica. Não dando valor à sua própria inteligência – porque jamais a testaram – apressam-se em prostituí-la à primeira crença que os impressione, e daí deduzem, com demencial soberba, que tudo mundo faz o mesmo. >>



*** Obrigado, Diego Baldusco.