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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Foi o 20 de setembro?

Guilherme Litran - Carga de cavalaria Farroupilha


Já fui grande entusiasta da Revolução Farroupilha e favorável à separação do Rio Grande do Sul. Depois, peguei uma curva acentuada à esquerda, para uma estrada cheia de debilidades, e passei a achar tudo uma besteira, uma enganação, uma palhaçada regionalista, que, inclusive, flertava com o fascismo [!]. Por fim, graças a Deus (não é força de expressão), dei-me conta do néscio que sou nesse assunto (assim como em muitos outros), constrangi-me e senti pena de mim, por aquela ânsia juvenil de levantar bandeiras sem ao menos conhecer os tecidos que as compõem, e decidi silenciar até entender o que de fato ocorreu (para o que ainda não tive ou não destinei tempo).
Entretanto, cabe registrar meu constrangimento ao ver a segurança com que muitos dentes-de-leite, essa molecada marota que anda por aí arrogando autoridade sobre tudo, faz afirmações peremptórias contra o 20 de setembro (e tudo que ele simboliza, evidentemente), debochando de quem o festeja, indignando-se contra a comemoração de um fracasso e pretendendo-se corajosos iconoclastas.
Hoje, não sou capaz de dizer se as motivações da guerra eram verdadeiras, se os líderes eram de fato valorosos e se o desfecho foi um arranjo cínico entre poderosos. Contudo, sou capaz, creio, de perceber a realidade, de ver uma cultura riquíssima, com conteúdo e forma facilmente delineáveis e admiráveis. As dúvidas sobre a guerra em si não deveriam impedir-nos de reconhecer todo esse legado cultural, que vai dos mais simples aforismos e adágios até uma tradição musical de enorme qualidade e beleza, passando por uma identidade visual com muitas virtudes sinópticas e simbólicas, pela literatura, pela culinária, pelos costumes, enfim, por tudo que dá forma a um povo. É certo que isso tudo não é exclusivamente um legado Farroupilha, mas sim de uma história da qual essa passagem foi o grande momento.
Uma simples canção como a que segue possui valor infinitamente superior, se comparada a toda a pseudo-sociologia ressentimentista (movida pela constante procura e construção de vilões que justifiquem o fracasso de certas ideologias), a que se resume o teor de críticas como as dirigidas ao tradicionalismo gaúcho.



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

#saidarua



É o seguinte, seus bocas-abertas: quando nós, "discípulos" do "maluco" professor Olavo de Carvalho tratamos de avisar que "o povo na ruas", em junho deste ano, não passava de uma manobra política, da qual inclusive o PT participava, fomos acusados de doidos, de crentes em uma teoria da conspiração.
Certamente, não era "apenas por 20 centavos" que os indignados tomavam as ruas. Qualquer coisa seria a desculpa, o mote para os líderes daquilo [a saber, partidos e movimentos de esquerda, como PSTU, PSOL, MST, CUT e o próprio PT, seus animais!]; o povo, como sempre, apenas iria atrás.
Logo após as manifestações, abundaram os indícios de que estávamos certos, pois os líderes dessas manifestações passaram a aproveitá-las de diversas maneiras (e.g., o PT, lançando a inocente idéia da sua reforma política).
Ontem, 18 de setembro de 2013, vocês, seus olhos-do-cu, tiveram nova oportunidade para perceber que foram inocentes e estúpidas massas de manobra. No maior assalto de que a democracia brasileira já foi vítima (as falcatruas do Collor são brincadeiras de criança, se comparadas ao que o PT já fez), não vimos nada de #vemprarua, #ogiganteacordou, #estamosmudandoobrasil ou qualquer outra baboseira de baladeiro profissional que resolveu brincar de ser consciente. Nada! Nada de indignação, nenhuma micareta revolucionária nas ruas, nenhum “levante espontâneo da população”. Por quê? Por que não há manifestação daquele tamanho que seja espontânea. Por que vocês não largam seus milhares de eventos sociais, suas baladas e seus turismos dispendiosos (a lugares que vocês conhecem fisicamente mas dos quais não são capazes sequer de soletrar o nome) para entender a real situação. Por que vocês só se mobilizam quando incitados; aliás, quando incitados a alguma manifestação oca, vazia de propósitos, sem alvos específicos, que seja tão-somente mais um evento social para suas coleções, mais uma oportunidade para mostrarem-se de alguma forma e fazerem novas amizades. E, principalmente, por que aqueles que lideraram vocês em junho estão absolutamente satisfeitos com o resultado do julgamento do Mensalão. Simples assim.
Agora, em vez de fazer de conta que você não foi um belo idiota na mão de gente poderosa e muitíssimo bem articulada, faça um favor a você mesmo: estude, seu jumento! Mas estude de verdade. Não basta ler as manchetes dos grandes jornais e portais, muito menos ler matérias da auto-proclamada “mídia independente”, que, em verdade, é patrocinada por empresas estatais e fundações que colaboram com o governo – como essas merdas de Sul 21, Pragmatismo Político, Brasil 247, Carta Capital, Leonardo Sakamoto, Paulo Ghiraldelli, Marilena Chuaí et caterva. Pare de postar no Facebook e no Twitter que está indignado; deixe essas reações ranhentas de lado por um momento e busque entender porque a situação é como é. Pare de postar fotos de livros, montagens com livros; pare de proclamar seu amor pelos livros; isso é fetichismo pueril. Leia os livros, seu verme! De que adianta ser indignado “contra tudo que está aí”? Isso é o mesmo que ser indignado contra nada. De que adianta gritar ao mundo que prefere os livros à televisão, se você não lê de fato ou lê algo como Chico Buarque? Há mais sabedoria e ensinamentos em um programa de TV como South Park do que na maioria dos ditos intelectuais que ornam sua estante. Há mais verdade, integridade de intenções e resultados em uma noite de estudo sério e aprofundado em casa do que em um mês de gritaria histérica pelas ruas.