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domingo, 18 de agosto de 2013

O jegue bípede




Fonte: página no Facebook de Kauany Souza.

Qualquer um que olhasse esta simbólica montagem deveria, ato contínuo, entender – ou ao menos intuir – que, por mais que tenha seus vários defeitos, o Ocidente é um lugar melhor para viver do que o islã. (Não falo isso pelos atos exemplificados acima (como em "getting stoned"), mas pela oposição entre a liberdade de, inclusive, agir feito um idiota e o cerceio completo.)
Contudo, não são poucas as mentes iluminadas que defendem o multiculturalismo, que entendem que cada lugar (e sua cultura) é bom à sua forma, segundo seu contexto. Entre tantas evidências de que esse discurso é vazio, a dos movimentos migratórios (intensos de lá para cá e escassos daqui para lá) deveria ser suficiente para fazer o multiculturalista envergonhar-se ao pensar em comparar o mundo islâmico com o ocidental. Mas não é só isso.
Boa parte – se não a totalidade – dos multiculturalistas ocidentais detesta o Ocidente e seus valores precípuos; ou seja, o sujeito defende todas as culturas, exceto a sua própria. Trata-se, evidentemente, de um problema gravíssimo de raciocínio, que adentra a patologia e flerta gravemente com a esquizofrenia. Ao dizer-se multiculturalista e, não obstante, posicionar-se fortemente contra uma cultura (qualquer), o indivíduo está em desacordo com seu próprio discurso – e aqui temos um problema lógico, uma dificuldade imensa de somar 1 + 1. Contudo, o herói da benevolência cultural vai além: ao preferir o mundo islâmico ao ocidental, o sujeito já não percebe a realidade em si, os fatos que o rodeiam, sua própria existência – pois, se vivesse nesse mundo que tanto defende, dentre as muitas causas que ele não poderia defender, a do multiculturalismo talvez seja a principal. E aqui temos um problema cognitivo, uma dificuldade que transcende a da soma de 1 e 1, uma incapacidade mesma de definir o que seja "1", de distinguir um número de uma equação, uma cadeira de um rinoceronte.
Faça sua parte: se você conhece alguém assim, converse com essa pessoa e indique ajuda profissional. É muito fácil perceber se você está diante de um doente dessa espécie. Esse multiculturalista (que critica acidamente o Ocidente e ama o islã e os recônditos orientais, africanos e indígenas) desafia os limites do possível de um modo bem próprio e delineável. Analise bem e perceba que, muito provavelmente, ele é um burguês (lato sensu), vive como um burguês, anda como um burguês, respira como um burguês mas A-D-O-R-A Cuba e os ideais socialistas. Inclusive, encontrei o carro de um espécime dessa raça em uma rua de Porto Alegre:


Siga analisando-o. Ele fala das desigualdades e das mazelas do capitalismo, cita Marx, Engels e Lenin para os amigos, em uma farta mesa de restaurante, para que eles entendam que a fome é um mal que só pode ser vencido com o socialismo – nem que para isso os socialistas tenham de matar milhões de pessoas de fome.
É provável, também, que esse seu amigo ame a liberdade, defenda a “causa gay”, aprecie rock’n’roll e reverencie a “consciência negra” – tudo isto trajando uma camiseta estampada por Che Guevara, que se orgulhava de ser assassino e que desprezava gays, negros e jovens roqueiros.  Ainda, posso apostar que nosso indômito multiculturalista levanta alto a bandeira contra o imperialismo norte-americano, enquanto lhe correm pelos olhos lágrimas saudosas da Grande Mãe Rússia, que concentrou, ao custo de dezenas de milhões de vidas, a administração de quinze nações.
Enfim, abundam os sintomas da doença do multiculturalista ocidental padrão. Ele defende causas diversas, que jamais poderia defender no islã, ou em Cuba, ou na China – mas defende apaixonadamente o islã, Cuba e a China. Em uma mão, leva a bandeira do Movimento Gay; noutra, a da Irmandade Muçulmana. Canta a paz mundial, crendo que o melhor caminho para ela é o socialismo, cuja bagagem é de mais de cem milhões de mortos. Se fosse judeu, esse sujeito não se constrangeria em admirar princípios nazistas. Se fosse cristão, não veria problemas em ser também marxista. Se fosse um cordeiro, defenderia a causa dos lobos. Suas contradições são muitas e estão sintetizadas em sua anatomia: é, pois, uma rara espécie de quadrúpede que anda sobre duas patas.