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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Sangria

Ao contrário do que ensinaram nossos professores caras-pintadas, não é a consciência social, de classe ou qualquer merda dessas que sustenta uma nação, mas sim, entre outros elementos, o trabalho. 

E o que melhor representa o trabalho nesse puteiro, sendo um excelente exemplo para todos (porém, absurdamente subestimado por nossos intelequituais, opinadores e vagabundos de movimentos sociais), é O CAMPO. 

Não é choramingando pelas ruas pelos direitos do bonobo-da-bunda-branca e dos usurários de craque, por passagens "grátis", almoço "grátis", ensino "grátis" etc. e pelo direito de chupar piroca ao ar livre que se leva uma nação adiante.

É passando o boi na faca - literalmente e simbolicamente.




Parou o pampeano
Esbarrou um picaço
Estendeu-se o laço
Da ilhapa à presilha
Doutro lado um gateado
Cinchava uma pata
O boi berra e se estaca
Prevendo a sangria
Na ponta da faca
O destino é traçado
E o sangrador é cortado
Manchando as flexilhas
Afrouxam-se os laços
O pampeano se ajoelha
Sobre a mancha vermelha
Do chão do potreiro
A folha chairada
Já risca o couro
Num ritual de crioulo
De um pago fronteiro
Se foi mais um boi
Pra "corda" e munício
E o matambre pro vício
Do assado campeiro
A força do campo
Rebrota invernadas
Engorda a boiada
E sustenta a nação
É a mesma contita e vivida
Ostentando esta vida
Deste sul de rincão
E o campo de novo
Viçoso floresce
Pois tem alicerce
De várzea e coxilha
Renasce na morte
E se torna mais forte
Bebendo a sangria
E assim segue a lida
Tranqueando na estância
Firmando a constância
De manter existência
Levando a pecuária
Em ranchos e galpões
Em sobrados e mansões
Em longínquas querências
Pra que o mundo conheça
O valor de uma raça
Mostrando o que passa
O campo e sua essência
O campo - César Oliveira e Rogério Melo